A importância da variabilidade espaço-temporal dos aquíferos nas metodologias de optimização de rede

Título:

A importância da variabilidade espaço-temporal dos aquíferos nas metodologias de optimização de rede

Resumo:

No que diz respeito à dinâmica das águas subterrâneas, e ao contrário do que acontece com as águas superficiais, a uma variabilidade temporal pequena opõe-se regra geral uma maior variabilidade espacial. Isto acontece porque nos sistemas hidrogeológicos, as águas são geologicamente dependentes e daí que as heterogeneidades dos aquíferos, causadas naturalmente pela diversidade e deposição dos materiais litológicos ao longo dos tempos, influenciem decisivamente o comportamento dos fluxos hídricos. Por este motivo a variabilidade espacial dos aquíferos deve ser considerada como um dos critérios fundamentais nas operações de design das redes de monitorização. Por exemplo, a densidade óptima da amostragem é determinada por Krigagem através do cálculo da contribuição específica de cada estação de monitorização para o conhecimento da hidrodinâmica e/ou da hidroquímica regionais. Ao adicionar ou suprimir uma estação à rede de monitorização podemos inferir a magnitude relativa dos, respectivamente, diminuição ou aumento da variãncia de estimação média em todo o aquífero e, assim determinar qual a localização ideal de mais pontos de amostragem (para alargar a rede de obervação) ou seleccionar as estações dispensáveis (para diminuir a rede de observação). A nível local a implementação de redes de monitorização em zonas de sobre-exploração do aquífero será realizada com base na análise de imagens equiprováveis produzidas por técnicas de Simulação Geoestatística. A determinação da frequência ideal também requer uma avaliação da variabilidade temporal devido ao carácter não-estacionário do fluxo das águas subterrâneas. Os intervalos de tempo a seleccionar entre as sucessivas obervações devem depender do motivo pelo qual se faz a recolha dos dados, sendo um dos objectivos detectar as tendências a longo prazo em redes principais ou as tendências a curto prazo em redes específicas. Por essa razão um dos aspectos importantes no cálculo da frequência de amostragem, é a identificação num mesmo sistema aquífero de vários padrões temporais, de forma a interpretar os seus comportamentos em termos de fluxo de águas subterrâneas. Para detectar e analisar essas tendências utilizam-se testes estatísticos não-paramétricos e para agrupar as estações de monitorização com padrões temporais semelhantes são utilizadas técnicas de classificação hierárquica. Estas metodologias são aplicadas a casos de estudo reais de Portugal: o sistema aquífero das Matas Nacionais, o sistema aquífero do Tejo e Sado, o sistema aquífero do Lias-Dogger do Algarve.

Autores:

Luís Ribeiro

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